São Paulo, com seus 12 milhões de habitantes e altitude média de 760 m, ocupa uma região de transição entre o Planalto Atlântico e a Bacia Sedimentar. Essa geologia gera solos residuais de alteração de gnaisses e migmatitas na zona norte e oeste, enquanto na zona sul e leste predominam depósitos sedimentares da Bacia de Taubaté. A análise granulométrica (peneiramento + hidrômetro) é o ensaio básico para classificar esses materiais: separa pedregulhos, areias, siltes e argilas, informação que orienta desde a fundação de edifícios até a execução de aterros. O ensaio segue a ABNT NBR 7181:2016 e é obrigatório em projetos de cimentações sísmicas e subrasante vial.
A curva granulométrica gerada no ensaio de sedimentação é a base para classificar solos finos no sistema USCS e TRB.
Procedimento e escopo
Comparando-se o solo do Morumbi (zona oeste, solo residual maduro de gnaisse) com o da Mooca (zona leste, argila sedimentar mole), a diferença é nítida: o primeiro apresenta fração areno-argilosa com cerca de 40% de areia, enquanto o segundo exibe predomínio de silte e argila (até 70%). A análise granulométrica em São Paulo capta essas variações usando duas técnicas complementares:
Peneiramento grosso (peneiras de 2,0 mm a 75 mm) para pedregulhos e areias, conforme ABNT NBR NM ISO 3310-1.
Sedimentação (hidrômetro) para partículas abaixo de 0,075 mm, baseada na lei de Stokes, com leituras em tempos crescentes até 24 horas.
O resultado é a curva granulométrica, que alimenta o sistema unificado (USCS) e a classificação TRB. Para obras de contenção, esse dado é essencial ao projetar muros de contenção com parâmetros corretos de atrito e coesão.
Imagem técnica de referência — São Paulo
Contexto geotécnico local
A ABNT NBR 6122:2019 exige análise granulométrica para dimensionamento de fundações em São Paulo, e por boas razões. Solos residuais jovens da Cantareira apresentam matacões que podem distorcer a curva se a amostragem não for representativa. Já nas várzeas do Tietê e Pinheiros, a fração argila orgânica (até 30%) pode gerar curvas com alta plasticidade, exigindo correção no hidrômetro. Ignorar a presença de pedregulhos na amostra leva a superestimativa da fração fina e, consequentemente, a parâmetros de resistência irreais. O erro compromete o cálculo de asentamento diferencial e a previsão de recalques.
Este serviço complementa o nosso ensaios in situ para uma análise integral do projeto.
Normas de referência
ABNT NBR 7181:2016 (Análise granulométrica), ABNT NBR NM ISO 3310-1 (Peneiras de ensaio), ABNT NBR 7181 (Método de sedimentação), ABNT NBR 7181 (Peneiramento por lavagem)
Dúvidas habituais
Qual a diferença entre peneiramento a seco e com lavagem na análise granulométrica?
O peneiramento a seco é usado para solos sem finos coesivos; já o peneiramento com lavagem (NBR 7181) remove a fração argilosa aderida aos grãos maiores, sendo obrigatório para solos argilosos de São Paulo, como os da zona leste.
Quanto tempo leva o ensaio de sedimentação (hidrômetro)?
O ensaio completo exige leituras em intervalos crescentes até 24 horas. O resultado final, com curva e classificação, é entregue em 5 dias úteis após o recebimento da amostra.
Qual a quantidade de solo necessária para o ensaio?
Para solo arenoso, mínimo de 500 g; para solo argiloso, 200 g são suficientes. Amostras indeformadas ou deformadas são aceitas, desde que representativas do perfil.
O ensaio serve para classificar solos para aterro e subleito?
Sim. A curva granulométrica alimenta a classificação TRB (DNIT) e USCS, indicando se o solo é adequado para subleito de pavimentos, aterros compactados ou reaterro de valas.
Como a granulometria influencia a permeabilidade do solo?
Solos bem graduados (com ampla faixa de tamanhos) tendem a ter menor permeabilidade que solos uniformes. A análise granulométrica permite estimar o coeficiente de permeabilidade pela fórmula de Hazen (k = C * D10²), fundamental para projetos de drenagem em São Paulo.